Por um uso mais racional do carro.

Texto postado originalmente por Tássia Arouche, no blog do Grupo Transporte Humano.

Tem gente que diz que os ciclistas urbanos, principalmente aqueles que optaram pela bicicleta pelo fato de ela ser um meio de transporte mais sustentável, odeiam os carros. Não é verdade. Quero dizer, até pode ser verdade no caso de alguns, mas não há razão para se odiar os carros.

Ao invés de lutarmos pelo fim dos carros, devemos pensar em seu uso sim, só que mais racional. Carros são úteis e para algumas pessoas (não tantas assim, na verdade) este transporte é a única opção.

O problema surge quando nós passamos a utilizá-los para ir comprar pão na padaria da esquina. Outro problema é quando não conseguimos nos organizar para evitar tanto desperdício (de dinheiro, de energia, de espaço etc.) e passamos a circular solitários em nossos automóveis (o que, diga-se de passagem, é muito, muito comum).

O maior problema, eu diria, é quando o carro passa a significar algo bem diverso do sentido para o qual foi criado. Além de ser meio de transporte, é sinônimo de status, é instrumento de “pertencimento”, uma forma de inclusão, é item obrigatório, sendo indiscutível a necessidade de se ter um na garagem. Aí o uso do carro já está bem longe de ser racional.

E a conseqüência de uma mentalidade assim é que isto se espalha para além de uma questão individual: tenho ou não tenho um automóvel? Se tiver, que uso farei dele?

Carros são, hoje, os donos das ruas. O pedestre e o ciclista é que têm que ficar espertos quando estiverem transitando por seu “território”. A lei nas ruas é contrária ao Código de Trânsito Brasileiro, que diz que pedestres e veículos não motorizados têm preferência sobre todos os demais.

Além disso, os carros costumam ser prioridade na maioria das administrações públicas. Por quê? Porque não se discute o seu uso racional. Ao contrário, abrem-se cada vez mais avenidas, transforma-se tudo em asfalto para que eles possam circular, para se tentar contornar um grande problema que os carros mesmos criam: os temidos engarrafamentos.

Irracional, então, é propor: vamos deixar os carros em casa e utilizar mais o transporte público ou a bicicleta; vamos tirar espaços de estacionamento nas ruas e criar ciclofaixas; por que não diminuir a velocidade máxima nas vias, em nome da segurança?; por que não reduzir o fluxo de veículos?

Copenhagen Cycle Chic

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Dia Mundial Sem Carro – vídeo de André Garcia

Um pouquinho atrasado, mas ta valendo, esse eh o video do Dia Mundial Sem Carro 2008, produzido pelo meu xará, André Garcia, cicloativista sangue bom.
Parabéns xará, ficou maneiro o vídeo.

Parte 1

Parte 2

Curitiba e as Bicicletas

Gostei de ver os comentários enviados na coluna do leitor da Gazeta do Povo, referente a matéria publicada (ver post abaixo). Legal ver que as pessoas estão se conscientizando e tendo interesse em usar a bicicleta, esse magnífico meio de transporte sustentável, saudável, não-poluente, econômico, e prazeroso.

Quem sabe num futuro próximo, com uma infra-estrutura adequada, Curitiba não volte a ser modelo para outras cidades do país, incentivando o uso da bicicleta, e com isso, tornando a cidade ainda mais bela e charmosa, com cilcistas pedalando elegantemente e com alegria, convivendo com os automóveis de uma forma pacífica e harmoniosa, assim como em algumas cidades européias.

Segue abaixo alguns comentários publicados no jornal:

Bicicleta 1

Creio que não é possível utilizar a bicicleta em todos os lugares da nossa cidade devido à violência (Gazeta, 13/11). Sabemos de vários casos de pessoas que foram assaltadas nas ciclovias, pois falta policiamento. A população só poderá passar a utilizar a bicicleta como meio de transporte para o trabalho quando se sentir segura para isso.

Wandique da Silva, por e-mail

Bicicleta 2

Em referência a matéria sobre a bicicleta como meio de transporte (Gazeta, 13/11), apresento uma sugestão para a implantação de “ciclofaixas” (faixas de uso exclusivo para bicicletas): as vias de tráfego lento, que margeiam as canaletas do expresso, são largas demais para a circulação de um automóvel só, e estreitas demais para a circulação de dois automóveis lado a lado. Portanto, uma maravilhosa ciclofaixa já está construída, com dezenas de quilômetros, cortando a cidade em diversas direções. Basta apenas a pintura no pavimento e a devida sinalização. E, se implantada no lado esquerdo (considerando o sentido do tráfego), há muito menos cruzamentos e, conseqüentemente, mais segurança. A implantação seria muito mais fácil e muitíssimo menos onerosa do que reformar o canteiro central da Av. Visconde de Guarapuava. Acredito que já temos a maior estrutura de ciclofaixas do Brasil (avenidas Sete de Setembro, República Argentina, Erasto Gaertner, Paraná, Marechal Floriano; ruas Padre Anchieta, Deputado Heitor de Alencar Furtado). Gostaria de discutir o assunto com os técnicos do município.

Jefferson Rizental Gomes, empresário, por e-mail

Bicicleta 3

Tento fazer todas as minhas atividades diárias de bicicleta, mas sou novata no assunto. No mês passado eu e mais uma amiga compramos nossa “magrelas” e desde então estamos nos adaptando, para que num futuro bem próximo possamos mudar na nossa garagem o carro pela bicicleta. Estamos conhecendo uma nova Curitiba. No sábado passado, estivemos andando pela ciclovia da Cidade Industrial, lugar que antes que só conhecíamos da janela do carro. Mas o que precisamos é que essas ciclovias sejam mais adequadas. Cumprimento a repórter Pollianna Milan pela matéria publicada de 13/11.

Christianne L. Salomon, por e-mail

Mais do que lazer, bicicleta é transporte alternativo

Saiu na Gazeta:

Mais do que lazer, bicicleta é transporte alternativo

Evento em Brasília discute projetos para que a malha viária das cidades brasileiras valorize a circulação de ciclistas

Todo dia, chova ou faça sol, o funcionário público Luis Peters vai ao trabalho de bicicleta.

Todo dia, chova ou faça sol, o funcionário público Luís Peters vai ao trabalho de bicicleta.

Se até agora as principais ciclovias das cidades brasileiras eram usadas apenas para o lazer – porque tinham como função ligar um parque ao outro – agora elas devem ser projetadas para que a bicicleta passe a ser um meio de transporte alternativo e bastante utilizado para se chegar ao trabalho. Pelo menos este é o objetivo do primeiro evento sobre o assunto, que começou ontem, em Brasília, e prossegue até sábado. Ele foi batizado de Bicicultura Brasil, com o slogan “bicicletas por um mundo melhor”. Segundo os organizadores, a idéia é discutir, durante os quatro dias, como tornar viável uma malha urbana onde as bicicletas possam circular com rapidez e segurança, contribuindo, inclusive, com o meio ambiente. “Temos muitos carros na rua, congestionamentos e poluição. Precisamos debater a cultura da bicicleta, pois a do carro já está posta”, afirma uma das organizadoras, Beth Davison, da ONG Rodas da Paz.

As principais barreiras para que a bicicleta efetivamente passe a ser incorporada como meio de transporte é a falta de espaços destinados a elas: existem ciclovias, mas essas não têm continuidade. Em muitas cidades elas começam em um bairro, por exemplo, mas ao longo do trajeto têm várias interrupções, ou ainda, não levam a lugar algum. Outro problema é a falta de estacionamentos adequados para as bikes e banheiros com chuveiros nas empresas, para que os funcionários possam tomar banho antes de começar a trabalhar. “A Bicicultura trouxe representantes de outros países, como Holanda e Colômbia (Bogotá), que conseguiram revolucionar o sistema de transportes a partir das bicicletas. Essas pessoas vão repassar as experiências por meio de palestras”, conta um dos organizadores, Yuriê Baptista César, da União de Ciclistas do Brasil. O evento conta também com a participação de gestores de trânsito de alguns estados brasileiros, que já têm projetos urbanos para bicicletas, como o Distrito Federal – que quer implantar 600 quilômetros de ciclovias – e o Rio de Janeiro, que deseja ser conhecido como o estado das bicicletas. “No Brasil, a visão de transporte está equivocada. O sonho de consumo é o carro, algumas pessoas se dizem felizes apenas quando compram um automóvel. Mas temos de pensar também nos congestionamentos e no meio ambiente”, lembra César.

Curitiba

Na capital paranaense, onde o sistema de ciclovias foi projetado na década de 80, ainda há muito para ser feito. Atualmente existem 85 km de ciclovias compartilhadas (ficam nas calçadas) e 35 km de exclusivas, a grande maioria liga um parque ao outro, por isso o maior desafio da prefeitura é fazer com que as ciclovias sejam úteis para quem vai trabalhar. O funcionário público Luis Peters, de 50 anos, adotou a bicicleta como meio de transporte há dois anos, depois que o médico o aconselhou a praticar exercícios físicos. Todos os dias, debaixo de sol ou chuva, Peters sai do Bigorrilho, pedala 5 km até o Centro Cívico, onde trabalha, e depois faz o mesmo percurso para voltar. Como não existem ciclovias no caminho para o trabalho, ele usa a canaleta dos ônibus biarticulados. “Eventualmente mudo o percurso para a Princesa Izabel, com o objetivo de evitar a fumaça dos ônibus, que faz mal à saúde, porém é mais longe”, diz. Ele acredita que nunca se acidentou por ser mais cauteloso. “Acho que por que sou mais velho”, comenta. Mas Peters tem de usar de algumas artimanhas, como sair um pouco antes dos carros ao sinal verde, para ganhar espaço na rua. Caso contrário, ele tem de gastar vários minutos parado nos cruzamentos. Nem mesmo a roupa de trabalho que ele usa, normalmente um terno, atrapalha. “Deixo na bicicleta uma roupa especial para chuva. Realmente uso a bicicleta como meio de transporte”, afirma.

Integrante do movimento Bicicletada, Jorge Brand diz que o problema de usar bicicletas é a falta de respeito por parte dos motoristas de carros e ônibus. “Eles não enxergam a bicicleta como um meio de transporte.” Brand fala ainda que o ideal seria que as bikes circulassem na rua e não nas calçadas, que é lugar exclusivo dos pedestres. “Defendemos o uso das ciclofaixas”, diz, que são faixas amarelas pintadas nas vias das cidades, do lado direito da pista dos carros, para uso exclusivo das bicicletas.

Atualmente Curitiba não tem ciclofaixas. Entretanto, alguns projetos, que a prefeitura promete colocar em prática no ano que vem, devem melhorar as condições de quem anda sob duas rodas. Um dos projetos de maior envergadura, que daria fôlego aos ciclistas, é a substituição dos canteiros centrais da Visconde de Guarapuava por uma ciclovia exclusiva. A mudança está em estudo, porque envolve também a Companhia Paranaense de Energia (Copel), por causa dos postes de luz. “Se conseguirmos viabilizar, será uma ciclovia que ficará interligada com várias outras, como as das ruas Mariano Torres, Conselheiro Laurindo e Afonso Camargo”, explica a supervisora de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Célia Bim. Ela conta que a prefeitura pretende criar diferentes soluções para as biciletas, em curto, médio e longo prazo. Para o ano que vem, na Marechal Floriano Peixoto, entre a BR-476 e o terminal do Boqueirão, será instalada uma ciclofaixa, o problema é que ela será interrompida porque no Centro da cidade a avenida ficou muito estreita. “Temos de lidar com esta malha urbana já consolidada”, explica Célia. Outras ruas importantes ganharão ciclovias e, ainda, Curitiba deve receber 29 locais na área central para serem usados como paraciclos (estacionamento de bicicletas), com 320 vagas. Um projeto que depende de licitação – e, portanto, de uma empresa interessada em colocar em prática a idéia – são os bicicletários de aluguel, que seriam instalados em 20 pontos da cidade.

Matéria publicada na Gazeta do Povo.
Link para matéria original: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=827532&tit=Mais-do-que-lazer-bicicleta-e-transporte-alternativo

Cenas do cotidiano 1

E a educação no trânsito, onde fica?
Vamos ficar na calçada para não ocupar o espaço dos carros.

- Vamos ficar na calçada para não ocupar o espaço dos carros.

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Sim, esses carros estavam PARADOS em cima da faixa de pedestres, aguardando os carros da frente andarem. Custa deixar um espaço para os pedestres né? Quem quiser que passe por cima oras bolas.

CUIDADO, LIGEIRINHO!!

Quero deixar aqui meu repúdio à certas atitudes de alguns motoristas de ônibus, principalmente os de ligeirinhos. Lamentavelmente no dia 06/10/2008 às 17:08hs, ao voltar do trabalho tranquilamente de bicicleta, fui vítima de um quase atropelamento, seguido de agressão verbal e uma tentativa de agressão física com o veículo de placa AOE4070, ônibus número 18L43 da empresa S. Antonio, linha Colombo/CIC.

Placa do ônibus dirigido pelo motorista psicopata.

Motorista psicopata à solta!!

Eu estava na rua do Shopping Muller, a rua paralela a  Avenida Cândido de Abreu, andando tranquilamente pela direita na mão dos carros, ao passar pelos motoristas dos caminhões de mudança que ficam ali estacionados, ouço alguns deles gritarem “cuidado o ônibus atrás”, ao olhar para trás, vi um ônibus vindo a toda velocidade, na dúvida e com medo que me atropelasse resolvi jogar a bike ainda mais pro canto, nisso ele passou raspando sem ao menos diminuir a velocidade, parando logo adiante no sinal vermelho. Passei por ele e bati no vidro da porta fazendo gesto de indignação com a mão esquerda e continuei andando, parando um pouco mais adiante. Nisso o motorista do ônibus abriu a porta e me chamou, fui até ele e falei que ele quase havia me derrubado, ele retrucou já gritando “dava pra passar um caminhão”, eu falei “ce ta louco cara, quer me atropelar seu irresponsavel”, ele me xingou e tudo o mais, e ficamos ali naquela troca de elogios, o sujeito já visivelmente alterado resolve virar o volante, acelerar um pouco e vir pra cima de mim, fiquei apavorado e começei a me arrastar com a bike para a  calçada, enquanto isso, os pedestres que estavam passando por ali e vendo aquela cena,  perplexos começaram a comentar “nossa esse motorista ta louco”, “olha quer matar o rapaz”. Ao alcançar a calçada são e salvo, anotei a placa do ônibus. Ae ele foi embora, e eu fui atrás, no próximo ponto que ele parou, eu ainda tremendo um pouco de nervoso, tirei o celular do bolso e consegui tirar uma foto. Ele partiu, e eu continuei indo atrás, com cautela. Mais adiante no próximo sinal fechado, passei ao lado dele por entre os carros e lhe disse que o lugar dele era na cadeia, ele me xingou de babaca e foi embora.

Foi uma situação estressante, é lamentável ver a que ponto chega a barbárie no trânsito. As empresas de ônibus deveriam dar um treinamento melhor a esses “profissionais”, juntamente com um acompanhamento psicológico, é inadmissível os abusos e as infrações cometidas por alguns desses motoristas.

É preciso mudanças urgentes para acabar com esse tipo de violência no trânsito, chega de impunidade e atrocidades.

Mais paz e respeito.

A rua é de todos!!

retomando a cidade!

veja o site: recidade.wordpress.com

DIA 15/11, a partir das 15H

LOCAL: pátio da reitoria da UFPR

0 R$

OBS1:se chuver, o evento será adiado!

OBS2: vá de bike, rolê pela cidade no final!