Proteste Já: o perigo de andar de bicicleta em SP

Bravo, bravíssimo!! Muito boa a reportagem do CQC, usando da ironia característica,  mas sem perder o foco para tratar de um assunto sério. O CQC já havia feito algum tempo atrás uma matéria a respeito do respeito ao pedestre. Desta feita, o assunto é o respeito ao ciclista (e o famoso 1,5m para ultrapassar, que a maioria motorizada ignora ou finge ignorar) e a estrutura cicloviária da cidade de São Paulo . Vejam o vídeo, e divulguem.

Dia Mundial Sem Carro em Curitiba 2009

Foram muitos os carros no Dia Mundial Sem Carro em Curitiba (assim como no resto do país), mas também foram muitas as Bicicletas e a animação dos cicloativistas na Bicicletada organizada no dia do evento. Não podemos deixar de agradecer a todos aqueles que participaram do evento de uma maneira ou de outra, aqueles que se conscientizaram e trocaram o meio de transporte neste dia, aos grupos organizadores e promotores de eventos (Bicicletada Curitiba, Transporte Humano, Ciclovida da Universidade Federal do Paraná – UFPR), a Prefeitura de Curitiba,  e a mídia em geral que deu um grande apoio. Resta agora as pessoas refletirem e se conscientizarem sobre o futuro que desejam para as cidades. Que este dia seja lembrado todos os anos e a cada dia, para que as grandes cidades se tornem cada vez melhores para se viver com qualidade de vida.

Dia Mundial Sem Carro

Dia Mundial Sem Carro

Veja a seguir alguns links com registros (notícias, fotos e vídeos) do Dia Mundial Sem Carro em Curitiba. Estarei atualizando os links na medida do possível, confiram:

Fotos e Vídeos:

Dia Mundial Sem Carro Curitiba, fotos de Fábio Riesemberg

Site da Bicicletada Curitiba, fotos de Tiê Passos

Site Arte Bicicleta Mobilidade, fotos de Jaime Vasconcelos

Marcha das 1000 Bicicletas, fotos de Gustavo Gassner

Site da Prefeitura de Curitiba

Notícias:

Sobre o Dia Mundial Sem Carro em Curitiba, by Google

🙂

That’s all folks!

* qualquer sugestão, dúvida ou correção, deixe um comentário com contato ou mande-me um e-mail.

Nesta sexta, Semana do Trânsito em Curitiba

Richa abre nesta sexta a Semana do Trânsito, com teatro e música para 2.000 crianças

Richa abre nesta sexta a Semana do Trânsito, com teatro e música para 2.000 crianças

Saindo do forno

Destacado

Aloha people, fiquem a vontade e desfrutem desse arquivo digital sobre o mundo da bicicleta, tem muita coisa legal disponivel. E acompanhem as últimas novidades também pelo twitter do ciclista urbano cwb na coluna ao lado.

Ah, e aproveitem também para dar uma curtida nas fotos que posto no tumblr: http://ciclistaurbanocwb.tumblr.com/

Namastê e boas pedaladas. _/|\_

Bicicletas e a história afetiva da cidade

Belíssimo artigo do Goura publicado em 09/09/2009 na Gazeta do Povo.

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Quando se fala da biografia de um indivíduo mostram-se os fatos que o marcaram e que foram por ele marcados. A cidade como espaço vital de muitos indivíduos, habitat da civilização, é o grandioso encontro de muitas histórias singulares, de muitos fatos individuais que se entrecruzam em caminhos, ruas, praças, parques e demais nichos urbanos.

De alguma maneira, no entanto, tudo isto vem sendo ameaçado por um modelo de urbanismo que prevê somente as macroestruturas, que se esquece dos pequenos detalhes, dos prazeres do contato direto com a rua. É como se todas estas dádivas da vida civilizada estivessem pouco a pouco tornando-se indisponíveis à maior parte das pessoas.

Criaram-se zonas de separação, distâncias intransponíveis e a história afetiva da cidade vem sendo apagada com a frieza cirúrgica das pranchetas. No lugar do convívio, vemos crescer uma cultura de medo, de vidros escuros nos carros, de isolamento no privado e esquecimento deliberado do público. A cidade, espaço ideal de troca, de convívio, de vida, tornou-se local de trânsito, de estranhamento, de conflito e de velocidades artificiais, que beiram o absurdo – deputados que voam a 190 km/h e carros parados em congestionamentos crescentes. É a barbárie que se insinua a todo instante.

O urbanismo vigente, centrado no trânsito dos automóveis, e a economia das nações, baseada em sua produção e venda, fizeram das cidades um não lugar, um espaço de esquecimento, uma imagem que passa pelo vidro do carro. Favorecer primeiramente o automóvel significa não considerar de maneira adequada outras formas mais enriquecedoras de se transportar pela cidade. O monopólio automotivo impede o ciclista e o pedestre de se locomoverem. Pelas distâncias que são criadas, pelas péssimas calçadas e pelas ciclofaixas e ciclovias ausentes, o carro bloqueia o fluxo de todos. Os que estão dentro ficam parados, impacientes e intolerantes; os que estão fora têm de brigar pelo espaço e pelo direito de não serem atropelados. Como disse Ivan Illich: “Além de prover locomoção, prestígio, licença sexual e sentido de poder, tudo isto junto, o automóvel deixa sem chão o caminhante.”

O debate sobre o uso de bicicletas como meio de transporte em Curitiba ganhou uma força nova com o aparecimento das Bicicletadas, no final de 2005. São manifestações livres e criativas que visam nada mais do que à conquista do espaço urbano, a diminuição do número insensato de carros em nossas ruas. Na contramão de toda estimativa científica, dos dados de saúde pública às pesquisas de acidentes de trânsito, o automóvel segue sendo o grande beneficiário dos planejamentos urbanos.

Apesar do alerta dado por Gui Debord em 1959, o carro continua como tema central do urbanismo das grandes cidades. Disse então o porta-voz dos situacionistas: “Não se trata de combater o automóvel como um mal. Sua exagerada concentração nas cidades é que leva à negação de sua função. É claro que o urbanismo não deve ignorar o automóvel, mas menos ainda aceitá-lo como tema central. Deve trabalhar para o seu enfraquecimento. Em todo caso, pode-se prever sua proibição dentro de certos conjuntos novos assim como em algumas cidades antigas.”

É possível um uso racional do automóvel. E é mais do que viável, na verdade, imprescindível, a criação de espaços seguros para o trânsito de bicicletas, ligando os bairros ao centro da cidade de maneira rápida, segura e agradável. É necessário ousadia para inverter um pensamento atrasado, retrógrado e retraído, que ainda vê o carro como símbolo de conquista social. As medidas urbanísticas que priorizam o trânsito dos automóveis apagam e reduzem o calor proporcionado por uma experiência afetiva da cidade. Pensamos aqui no contato direto com as árvores das praças, as subidas dos morros, o prazer das ladeiras, o brincar na rua, o sair de casa sem medo – a ocupação do espaço.

Em vez disso, observamos uma proliferação de shoppings e o estímulo a um estilo de vida carente de cultura política. Quanto de política há numa praça de alimentação? A questão também se traduz em termos quase hedonistas, numa esfera de escolhas prazerosas. É muito mais interessante vir do São Lourenço ao Centro da cidade pela ciclovia que segue o Rio Belém do que conduzir seu próprio carro na pista de corrida da Mateus Leme, ou ficar sentado passivamente por cerca de 20 minutos num ônibus. E, nas duas últimas opções, ainda se tem de pagar por isso!

O ciclista ainda tem muitas vantagens até mesmo sobre o usuário do transporte coletivo. Ressaltamos principalmente sua autonomia, a liberdade de escolher seu caminho. Ele não será transportado passivamente, mas criará sua rota, determinará sua velocidade e terá que fazer escolhas responsáveis. Ele será seu próprio motor e entrará em contato direto com seu corpo. Sentirá o coração pulsando, as pernas em movimento e os limites de sua capacidade pulmonar. Terá alguns conhecimentos a mais sobre si mesmo. Em trajetos de até 10 quilômetros é sempre mais vantajoso ir de bicicleta.

Neste mês de setembro, Curitiba é mais uma vez o palco de reflexões e práticas que visam chamar a atenção da sociedade a esses questionamentos. A frase que nos inspira também vem dos situacionistas: “Precisamos passar do trânsito como suplemento do trabalho ao trânsito como prazer.” O prazer está na vida real, na cidade real, no corpo real. A bicicleta socializa a cidade e leva as pessoas ao encontro umas das outras. As cidades são das pessoas e não das máquinas. Como afirma Illich: “Uma cidade construída em função das rodas torna-se inapropriada para os pés, e nenhum aumento do número de rodas pode superar a imobilidade fabricada desses aleijados.”


Goura Nataraj (Jorge Brand) é filósofo, ciclista e professor de yoga.

Vídeo Bicicletada Agosto 2009 no ar

Ae pessoal, nosso colega Jonah (rasputines.com) fez um super vídeo da Bicicletada de agosto e colocou à disposição da galera na Internet.

Valeu Jonah, aquele abraço e até a próxima bicicletada.

Para assistir o vídeo online no Vimeo, clique aqui.