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Poluição custa US$ 1 bilhão por ano ao Brasil

Estudo inédito da USP analisou o ar em 6 regiões metropolitanas e concluiu que maior vilão ambiental é a frota de veículos.

A má qualidade do ar custa pelo menos US$ 1 bilhão – cerca de R$ 2,3 bilhões – aos cofres públicos brasileiros a cada ano, principalmente com as mortes ou tratamento de doenças associadas, direta ou indiretamente, à poluição. O valor está no primeiro estudo latino-americano a quantificar o estrago financeiro causado pelos gases tóxicos emitidos na atmosfera. A conclusão é fruto de uma análise exclusiva dos dados das primeiras avaliações de um dos centros de pesquisas mais importantes do mundo, o Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (USP). As informações são referentes a seis regiões metropolitanas do país: Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

O ranking da sujeira mostra São Paulo (US$ 300 milhões) na ponta, seguido por Rio de Janeiro (US$ 250 milhões), Porto Alegre (US$ 180 milhões), Belo Horizonte (US$ 150 milhões), Curitiba (US$ 140 milhões) e Recife (US$ 10 milhões). “Calculamos as perdas em dinheiro, pois ninguém se impressiona mais com pilhas de corpos. Não interessa quantos milhões de pessoas morrem. O único jeito de sensibilizar as autoridades para a implementação de políticas públicas é calcular custos”, afirma o coordenador do laboratório, Paulo Hilário Saldiva.

A pesquisa está sendo feita no Brasil a pedido do Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é verificar os níveis de poluição, quanto está acima dos padrões, a quantidade gerada por veículos e o preço desse conjunto. As coletas começaram há um ano, mas todas as análises químicas e físicas estão concentradas em São Paulo. A interpretação dos dados será feita numa segunda fase e vai analisar o custo real da poluição, considerando o número de internações hospitalares, quantas pessoas morrem e a redução estimada do tempo de vida média dos habitantes.

A expectativa é de que os órgãos ambientais usem os resultados para medidas de compensações ambientais, para estimular empresas a adotarem técnicas menos poluidoras e incentivar melhorias no transporte coletivo.

A poluição atmosférica mata de 2,5 milhões a 4 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo. A estimativa é do estudo intitulado The Global Burden of Disease, da Organização Mundial da Saúde e do Banco Mundial, feito na Universidade de Harvard. Os números representam um perigo real e são proporcionais a enfermidades tradicionais como a malária e a tuberculose. A partir dessas interpretações, os responsáveis pela pesquisa elaboraram uma fórmula para ensinar os países em desenvolvimento a calcular os gastos em saúde.

Além dos valores do tratamento propriamente dito, como os custos com as internações, a fórmula avalia os fatores indiretos associados às doenças: dias de trabalho perdidos, como a falta de um empregado afeta na produção e no saldo financeiro das empresas, redução de impostos, desestruturação da família, entre outros.

http://blog.eco4planet.com/2009/06/poluicao-custa-us-1-bilhao-por-ano-ao-brasil/

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Brigas de trânsito se multiplicam pelo Brasil

Texto publicado originalmente no site de notícias G1 da Globo.com. Fonte: http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1195803-16020,00-BRIGAS+DE+TRANSITO+SE+MULTIPLICAM+PELO+BRASIL.html

São motoristas e até pedestres. Exemplos da intolerância dos nossos tempos. Só em São Paulo, são registrados mais de 400 casos por dia. 

A briga no trânsito, de tanto acontecer, virou estatística. Gente que, de uma hora para outra, vira bicho. Tem explicação? Já se contam às centenas os casos que, diariamente, nós vemos pelas ruas.

Curitiba, plena luz do dia. Um motorista se irritou com o caminhão de uma floricultura parado no meio da avenida e agrediu o dono da loja. A filha do comerciante e outras duas mulheres revidaram e atacaram o rapaz.

Quando tudo parecia terminado, ele voltou ao carro e com uma caneta atacou a jovem. Uma mulher usou um pedaço de madeira. O comerciante e o motorista voltaram a se atracar. Seis pessoas tiveram que separar os dois.

Ferida, a moça tenta impedir que o rapaz e o pai dele deixassem o local. Mas eles foram embora antes da chegada da polícia.

Impaciência? Intolerância? Nenhum motorista gosta de admitir que perde a cabeça. É sempre o outro.

“Nunca perdi a cabeça no trânsito”, diz um motorista.

“Não sou de briga”, garante um homem.

Mas são cada vez maiores os relatos de agressões no trânsito.

“Já viu gente ser agredida na minha frente. O pessoal se engalfinha, briga à toa”, observa um motorista.

Só Em São Paulo, o disque 190 da Polícia Militar recebe por dia 400 registros. Seria maior não fosse o medo. O publicitário Thiago Vieira estava no carro parado no farol quando um motorista bateu na traseira do veículo. O rapaz desceu e partiu para cima dele. Socorrido por quem passava pelo local, ele não quis prestar queixa.

“Não sei do que o ser humano é capaz. O que pode ser capaz uma pessoa enfurecida. Talvez ele estivesse com outros problemas e descontou na hora. Eu não queria pagar para ver e preferi eu mesmo pagar meu prejuízo e evitar maiores aborrecimentos para mim”, diz o publicitário.

Especialistas em trânsito dizem que a relação do brasileiro com o carro tem a ver com status e poder. Dominar o veículo, as ruas, impedir ultrapassagens são formas de exibição. Da combinação de problemas em casa, no trabalho e de um trânsito caótico pode nascer a violência.

São flagrantes como o de uma grávida. Ela quase apanhou depois que tentou socorrer o marido durante uma briga de trânsito. E a morte trágica de Alexandre de Andrade, de 18 anos, que levou um tiro disparado por outro motorista.

No caso de Curitiba, um grupo inteiro perdeu a cabeça. O alerta é do psiquiatra Júlio César Fontana Rosa: isso pode acontecer até mesmo com pessoas que não tenham antecedente de agressividade.

“Em determinadas situações que você tem tempo para refletir, você deixa de realizar aquele ato. Algumas pessoas não conseguem ter essa reflexão. Temos que ficar atentos porque o trânsito está nos levando a situações de impaciência onde estamos explodindo. Em São Paulo já está difícil de o sujeito aceitar que o carro da frente fique a 10 metros do seu, por exemplo”, explica o psiquiatra da ABRAMET Júlio César Fontana Rosa.

A partir de 1 de julho quem se envolver em um acidente grave de trânsito terá a carteira suspensa e será obrigado a passar por exames físicos e psicológicos. Ficará a cargo da autoridade de trânsito local definir o que é acidente grave.

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Mais do que lazer, bicicleta é transporte alternativo

Saiu na Gazeta:

Mais do que lazer, bicicleta é transporte alternativo

Evento em Brasília discute projetos para que a malha viária das cidades brasileiras valorize a circulação de ciclistas

Todo dia, chova ou faça sol, o funcionário público Luis Peters vai ao trabalho de bicicleta.
Todo dia, chova ou faça sol, o funcionário público Luís Peters vai ao trabalho de bicicleta.

Se até agora as principais ciclovias das cidades brasileiras eram usadas apenas para o lazer – porque tinham como função ligar um parque ao outro – agora elas devem ser projetadas para que a bicicleta passe a ser um meio de transporte alternativo e bastante utilizado para se chegar ao trabalho. Pelo menos este é o objetivo do primeiro evento sobre o assunto, que começou ontem, em Brasília, e prossegue até sábado. Ele foi batizado de Bicicultura Brasil, com o slogan “bicicletas por um mundo melhor”. Segundo os organizadores, a idéia é discutir, durante os quatro dias, como tornar viável uma malha urbana onde as bicicletas possam circular com rapidez e segurança, contribuindo, inclusive, com o meio ambiente. “Temos muitos carros na rua, congestionamentos e poluição. Precisamos debater a cultura da bicicleta, pois a do carro já está posta”, afirma uma das organizadoras, Beth Davison, da ONG Rodas da Paz.

As principais barreiras para que a bicicleta efetivamente passe a ser incorporada como meio de transporte é a falta de espaços destinados a elas: existem ciclovias, mas essas não têm continuidade. Em muitas cidades elas começam em um bairro, por exemplo, mas ao longo do trajeto têm várias interrupções, ou ainda, não levam a lugar algum. Outro problema é a falta de estacionamentos adequados para as bikes e banheiros com chuveiros nas empresas, para que os funcionários possam tomar banho antes de começar a trabalhar. “A Bicicultura trouxe representantes de outros países, como Holanda e Colômbia (Bogotá), que conseguiram revolucionar o sistema de transportes a partir das bicicletas. Essas pessoas vão repassar as experiências por meio de palestras”, conta um dos organizadores, Yuriê Baptista César, da União de Ciclistas do Brasil. O evento conta também com a participação de gestores de trânsito de alguns estados brasileiros, que já têm projetos urbanos para bicicletas, como o Distrito Federal – que quer implantar 600 quilômetros de ciclovias – e o Rio de Janeiro, que deseja ser conhecido como o estado das bicicletas. “No Brasil, a visão de transporte está equivocada. O sonho de consumo é o carro, algumas pessoas se dizem felizes apenas quando compram um automóvel. Mas temos de pensar também nos congestionamentos e no meio ambiente”, lembra César.

Curitiba

Na capital paranaense, onde o sistema de ciclovias foi projetado na década de 80, ainda há muito para ser feito. Atualmente existem 85 km de ciclovias compartilhadas (ficam nas calçadas) e 35 km de exclusivas, a grande maioria liga um parque ao outro, por isso o maior desafio da prefeitura é fazer com que as ciclovias sejam úteis para quem vai trabalhar. O funcionário público Luis Peters, de 50 anos, adotou a bicicleta como meio de transporte há dois anos, depois que o médico o aconselhou a praticar exercícios físicos. Todos os dias, debaixo de sol ou chuva, Peters sai do Bigorrilho, pedala 5 km até o Centro Cívico, onde trabalha, e depois faz o mesmo percurso para voltar. Como não existem ciclovias no caminho para o trabalho, ele usa a canaleta dos ônibus biarticulados. “Eventualmente mudo o percurso para a Princesa Izabel, com o objetivo de evitar a fumaça dos ônibus, que faz mal à saúde, porém é mais longe”, diz. Ele acredita que nunca se acidentou por ser mais cauteloso. “Acho que por que sou mais velho”, comenta. Mas Peters tem de usar de algumas artimanhas, como sair um pouco antes dos carros ao sinal verde, para ganhar espaço na rua. Caso contrário, ele tem de gastar vários minutos parado nos cruzamentos. Nem mesmo a roupa de trabalho que ele usa, normalmente um terno, atrapalha. “Deixo na bicicleta uma roupa especial para chuva. Realmente uso a bicicleta como meio de transporte”, afirma.

Integrante do movimento Bicicletada, Jorge Brand diz que o problema de usar bicicletas é a falta de respeito por parte dos motoristas de carros e ônibus. “Eles não enxergam a bicicleta como um meio de transporte.” Brand fala ainda que o ideal seria que as bikes circulassem na rua e não nas calçadas, que é lugar exclusivo dos pedestres. “Defendemos o uso das ciclofaixas”, diz, que são faixas amarelas pintadas nas vias das cidades, do lado direito da pista dos carros, para uso exclusivo das bicicletas.

Atualmente Curitiba não tem ciclofaixas. Entretanto, alguns projetos, que a prefeitura promete colocar em prática no ano que vem, devem melhorar as condições de quem anda sob duas rodas. Um dos projetos de maior envergadura, que daria fôlego aos ciclistas, é a substituição dos canteiros centrais da Visconde de Guarapuava por uma ciclovia exclusiva. A mudança está em estudo, porque envolve também a Companhia Paranaense de Energia (Copel), por causa dos postes de luz. “Se conseguirmos viabilizar, será uma ciclovia que ficará interligada com várias outras, como as das ruas Mariano Torres, Conselheiro Laurindo e Afonso Camargo”, explica a supervisora de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Célia Bim. Ela conta que a prefeitura pretende criar diferentes soluções para as biciletas, em curto, médio e longo prazo. Para o ano que vem, na Marechal Floriano Peixoto, entre a BR-476 e o terminal do Boqueirão, será instalada uma ciclofaixa, o problema é que ela será interrompida porque no Centro da cidade a avenida ficou muito estreita. “Temos de lidar com esta malha urbana já consolidada”, explica Célia. Outras ruas importantes ganharão ciclovias e, ainda, Curitiba deve receber 29 locais na área central para serem usados como paraciclos (estacionamento de bicicletas), com 320 vagas. Um projeto que depende de licitação – e, portanto, de uma empresa interessada em colocar em prática a idéia – são os bicicletários de aluguel, que seriam instalados em 20 pontos da cidade.

Matéria publicada na Gazeta do Povo.
Link para matéria original: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=827532&tit=Mais-do-que-lazer-bicicleta-e-transporte-alternativo

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A TERCEIRA CAUSA

A TERCEIRA CAUSA
Livro-reportagem retrata os problemas, as histórias e as possíveis soluções para o trânsito, que resulta na morte de 34 mil pessoas no Brasil. Leia mais.

Livro mostra como o trânsito brasileiro é um assassino cruel.

Mais algumas informações sobre o livro, leia aqui.

A arte imita a vida – O filme brasileiro Não por Acaso , tem como pano de fundo a cidade de São Paulo e suas peculiaridades: o café, a rotina e o trânsito.


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Nunca Mais Brasil

Manifesto das novas gerações pela memória, verdade e justiça: DOI-CODI NUNCA MAIS!

Filhos, parentes, amigos de lutadores sociais que foram desaparecidos, assassinados, torturados, presos e exilados. Jovens que apesar de não haver sofrido a repressão direta, entendem que todos somos herdeiros de uma mesma história, herdeiros de uma geração que lutou para construir um país mais justo e que foi brutalmente reprimida.

(…) continua clique aqui.