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Dia Mundial Sem Carro em Curitiba 2009

Foram muitos os carros no Dia Mundial Sem Carro em Curitiba (assim como no resto do país), mas também foram muitas as Bicicletas e a animação dos cicloativistas na Bicicletada organizada no dia do evento. Não podemos deixar de agradecer a todos aqueles que participaram do evento de uma maneira ou de outra, aqueles que se conscientizaram e trocaram o meio de transporte neste dia, aos grupos organizadores e promotores de eventos (Bicicletada Curitiba, Transporte Humano, Ciclovida da Universidade Federal do Paraná – UFPR), a Prefeitura de Curitiba,  e a mídia em geral que deu um grande apoio. Resta agora as pessoas refletirem e se conscientizarem sobre o futuro que desejam para as cidades. Que este dia seja lembrado todos os anos e a cada dia, para que as grandes cidades se tornem cada vez melhores para se viver com qualidade de vida.

Dia Mundial Sem Carro
Dia Mundial Sem Carro

Veja a seguir alguns links com registros (notícias, fotos e vídeos) do Dia Mundial Sem Carro em Curitiba. Estarei atualizando os links na medida do possível, confiram:

Fotos e Vídeos:

Dia Mundial Sem Carro Curitiba, fotos de Fábio Riesemberg

Site da Bicicletada Curitiba, fotos de Tiê Passos

Site Arte Bicicleta Mobilidade, fotos de Jaime Vasconcelos

Marcha das 1000 Bicicletas, fotos de Gustavo Gassner

Site da Prefeitura de Curitiba

Notícias:

Sobre o Dia Mundial Sem Carro em Curitiba, by Google

🙂

That’s all folks!

* qualquer sugestão, dúvida ou correção, deixe um comentário com contato ou mande-me um e-mail.

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artigos, bicicleta, cicloativismo, mobilidade urbana

A vez das “magrelas”

Paris é uma das cidades mais charmosas do mundo. Mas, como toda grande cidade, ela sofre com problemas de tráfego. Nos últimos anos, alguns projetos buscam melhorar a mobilidade urbana, e o destaque é o Vélib, que dispõe de bicicletas públicas junto às estações de metrô para empréstimo, 24 horas por dia. Como diz o mote do projeto, a cidade é mais bela de bicicleta.

Nova Iorque, a seu modo, também é uma bela cidade. E, como cantou Frank Sinatra, se você vence em Nova Iorque, você vence em qualquer lugar. Essas pessoas vencedoras na capital do mundo usam o transporte público. A bicicleta também, sempre esteve lá, disputando lugar com os carros. Mas agora a cidade entendeu que ela é um importante meio de transporte em época de crise energética e consciência ambiental e social, e vem abrindo espaço para os ciclistas, com ciclovias, ciclofaixas e paraciclos (como aqueles aros chumbados no piso para prender as bicicletas). E elas não estão apenas nos parques ou junto aos rios, mas nas ruas centrais da cidade.

A bicicleta, no Brasil, tem uma história mais triste: ou era associada a presente para crianças (você com mais de 30 anos se lembra das campanhas de natal com os bilhetinhos de “não esqueça da minha Calói”); ao uso de lazer; ou, finalmente, como única possibilidade de deslocamento para os trabalhadores mais pobres.

Talvez essas associações tenham causado problemas para que a bicicleta fosse vista como um meio de transporte sério e nobre. Mas se a bicicleta for encarada como o melhor meio de transporte para distâncias pequenas e médias, como se fez em Paris e em Nova Iorque, colocando-se infraestrutura adequada nos principais eixos de deslocamento e polos de tráfego, as pessoas poderão preferir a bicicleta. E se essas cidades, entre as mais importantes e populosas do mundo, criaram ciclofaixas em suas ruas centrais, não há qualquer desculpa para que nossas cidades não possam fazer o mesmo.

O ciclista sabe que terá benefícios para sua própria saúde, e também econômicos – sem gasto com tarifa de ônibus, ou, de carro, com combustível e estacionamento. Porém, todos nós deveríamos saber, as “magrelas” trarão benefícios para toda a cidade. Cada ciclista é um motorista a menos nas ruas. É alguém que poluirá menos, e que incentivará o comércio nas redondezas de sua casa, pois não poderá transportar grandes volumes por longas distâncias. É também alguém que procurará usar os espaços públicos para lazer, como parques e ciclovias nas redondezas de sua casa. Enfim, alguém que poderá manter toda a cidade viva.

Hoje, quando falamos isto, diversas vezes nos veem como irrealistas (como disse um colega da UFPR, nos enxergam como um daqueles que, mesmo adulto, ainda pede sua Calói no Natal). Mas um dia Curitiba teve orgulho de seus ciclistas e ciclovias – hoje em boa parte sucateadas. Quem sabe agora que Paris, Nova Iorque e até São Paulo estão dando mais atenção aos ciclistas, Curitiba não volte a olhar por nós – e novamente de modo inovador.
Fábio Duarte é diretor do doutorado em gestão urbana da PUCPR.

Artigo publicado originalmente na Gazeta do Povo, em 25/05/2009, por Fábio Duarte. Link: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=889558&tit=A-vez-das-magrelas